Artigos com o marcador Valhala
Youme: O homem brincando de Deus.
5Não sei quantas vezes eu já ouvi pessoas dizendo que a vida imita a arte e vice-versa, mas principalmente a sétima arte tem um poder arrebatador sobre toda a humanidade. O cinema é uma indústria que movimenta bilhões por ano e faz o homem se sentir no controle da situação. As vezes, ser passageiro dessa bola de matéria explosiva que viaja a milhares de quilômetros por hora deixa de ser uma aventura, então torna-se necessário criar uma maneira de acabar com a monotonia desse lugar.
Em outubro de 2009 fui assitir um filme que pelo nome não poderia ser mais Lunático: Gamer. Onde num futuro próximo um revolucionário videogame on-line será a forma mais popular de diversão. Semanalmente, milhões de internautas assistem condenados lutando para sobreviver como se fossem personagens virtuais em um videogame. Praticamente um Counter Strike onde os jogadores usam seres humanos como figuras virtuais em batalhas reais, com o simples objetivo de diversão para o jogador e liberdade para o personagem. Aqui vai o trailer:
Como se não fosse bastante, o “jogo” Slayers, é uma evolução de um outro “jogo” chamado Society, onde pessoas são pagas para serem controladas através da internet. No momento em que assisti o filme foi inevitável a comparação do Society com o Second Life. Um ambiente futurístico, colorido, cheio de pessoas estranhas com roupas estranhas e muita libertinagem. Sem contar que tudo isso ao som de Sweet Dreams interpretado por Marilyn Manson. Percebe-se o drama.
O resgate de Angie (Amber Valletta) por Kable (Gerard Butler) de dentro do Society, com a ajuda de Gina Parker Smith (Kyra Sedgwick).
Procurando por mais algumas informações do Society, consegui achar uma compilação das cenas do filme que demonstram os acontecimentos dento do Society. Pena que a qualidade não está boa.
Este foi o ponto principal, pois até o momento acreditava que o Second Life poderia ser a coisa mais parecida com os devaneios deste filme. Até que navegando sem bússola ou astrolábio (conheço várias pessoas que descobrem coisas, desde 1500) me deparei com o youme, uma proposta inovadora para os padrões atuais:
“Youme oferece aos assinantes a possibilidade de controlar personagens do mundo real. Cada personagem é uma pessoa em outro lugar no mundo, o usuário consegue escolher o seu personagem baseado em várias características tais como idade, localização, sexo, altura, peso.”
“Os usuários que assinarem o serviço para controlar um personagem serão conhecidos como ‘you’, já os usuários que estão sendo controlados serão conhecidos como ‘me’. Cada ‘me’ é equipado com uma camera para gravar e transmitir os seus movimentos ao vivo para o seu ‘you’, bem como um fone de ouvido bluetooth para receber instruções. Instruções podem ser enviadas diretamente para o ‘eu’ através de mensagens de texto a partir de dispositivos móveis.”
Como assim ??
“Já quis ser outra pessoa por um dia e ver o mundo através de seus olhos? Quer ter um pouco de diversão e até realizar algumas travessuras, mas ainda manter o anonimato? Talvez você só queira puxar conversa com alguém do outro lado do mundo. Bem,Youme é a sua chance de fazê-lo. Ao tornar-se um ‘you’, você pode enviar pedidos para um usuário a sua escolha e este realizar enquanto você assiste.”
Mas por outro lado …
“You me está a procura de mais candidatos em too o mundo que desejam se tornar um ‘me’. Ser um ‘me’ é divertido e você é pago por isso.”
Depois dessa eu não preciso falar mais nada sobre o assunto. Fico imaginando em que ponto a internet transcende a sobriedade e até onde o homem é capaz de mandar ou ser mandado pelo dinheiro. Várias questões legais se encarregarão depossibilitar a continuidade, ou não, deste serviço.
Há pouco criaram um blog na página do serviço e foi enviada a seguinte mensagem no dia 30/01/2010:
“Rápida atualização, em 3 dias usuários de 65 paises se cadastraram para utilização do youme beta… Bons tempos estão por vir…”
Os ‘me’ não são obrigados a realizar as solicitações do seu ‘you’, mas ao longo da história da humanidade sabemos que o bom senso não prevalece na ideologia da maioria. Temos livre arbítrio? Então o que podemos esperar do youme? Uma Valhala elaborada por Karl Marx? Ou Cuba sendo governada por Max Hardcore?
